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O meu estilo de vida como vegana | Entrevista De Verde em Poupa
























Entrevista para o blog De Verde em Poupa 

Hoje estou no blog De Verde em Poupa com uma entrevista sobre o meu estilo de vida e alimentação. Falo sobre os motivos que me levaram a ser vegana, sobre a minha mudança de vida profissional e dou alguns conselhos para quem se está a iniciar neste mundo. Como bónus, encontram ainda uma deliciosa receita no final!

Leiam tudo aqui

Espero que gostem! 

Sobre isto de ser mãe e gerir um negócio

























Ama o que fazes

Ontem, depois do workshop, fomos passear pela Mouraria até anoitecer. Incrível como, mesmo com tão poucas horas de sono acumuladas nestes 4 meses (o Lourenço acorda várias vezes de noite para mamar e durante o dia é raro conseguir fazer uma sesta com ele), continuo a sentir um prazer enorme nisto. Trabalhar por conta própria e cuidar de um nenuco destes não é tarefa fácil. Chego sempre estoirada ao final do dia e muitas vezes "frustrada" por não conseguir ter tempo para tudo o que quero. Mas depois paro, olho para o enorme sorriso dele e penso: Sou uma privilegiada por conseguir ter o melhor dos dois mundos. Um ser pequenino que amo daqui até à lua para cuidar e um negócio para gerir que é também o meu propósito de vida. Ambos me desafiam todos os dias. Ambos me fazem crescer. Como mulher, e como mãe. Ambos me enchem o coração. E quero continuar a conciliar ambos com esta vontade e determinação que só é possível quando fazemos mesmo aquilo que gostamos.

Boa semana!

Ele | Este post não é sobre comida



Dois anos | A nossa história 


Faz hoje precisamente dois anos que nos vimos pela primeira vez. Lembro-me tão bem como se fosse hoje daquela troca de olhares. Há dois anos atrás, estava muito longe de imaginar as voltas que irias dar ao meu coração e à minha vida. Mas deste. E não podia estar (ser) mais feliz assim.

Adoro a nossa história. Tu sabes. Cada detalhe, cada pedacinho. Uma história de paixão, de aventura, de amizade, de loucura, e principalmente, de muito amor. 

Sei que não gostas de "aparecer", que preferes estar atrás da câmara. Mas senti que hoje era o dia de te agradecer, e de te trazer a público. Não por ser dia dos namorados, essa foi só uma feliz coincidência, mas por este ter sido o primeiro dia da nossa história. 

Para além do melhor namorado do mundo e do pai mais dedicado e babado, tenho também a felicidade de te ter como parceiro neste projeto, A Cozinha Verde. O teu apoio incondicional, mesmo mantendo um full time job que te ocupa grande parte do tempo, é a maior prova de amor. Estás nisto comigo de corpo e alma, inteiro. E isso apaixona-me.

Este deixou de ser o meu projeto para se tornar no nosso projeto. Profissinal e pessoalmente falando. E é tão melhor quando partilhamos aquilo que gostamos de fazer com quem gostamos.

Tenho um orgulho enorme na calma e leveza com que lidas com tudo, mesmo no caos. Tenho um orgulho enorme no teu jeito para cozinhar e na tua criatividade. Na tua paciência e gosto pelas coisas bonitas. Na tua forma descontraída de ser e de estar. Tenho um orgulho enorme em ti, Leandro.

Que venham mais dois anos assim.

Obrigada <3



A mais bonita história de Amor | Este post não é sobre comida
























Lourenço | O teu nascimento

Há (quase) quatro meses atrás não fazia ideia do que esperar. Não fiz muitos planos durante a gravidez. Estava assustada com toda a mudança que irias representar na minha vida. Na nossa vida. Por não saber se estaria à altura do grande desafio que me esperava. 

Entrámos no Hospital Santa Maria às (quase) quarenta e duas semanas, numa manhã de sábado. Não havia meio de te pôr cá fora. Foste teimoso até ao último minuto (um traço de personalidade bem marcado que partilhas comigo), pelo que, para tua segurança, o parto teve de ser induzido. As horas que passamos naquele quarto pareceram intermináveis. Só trinta e seis horas depois, num momento em que ficámos os dois completamente sozinhos (mudança de turnos no bloco de partos e o pai tinha ido a casa tomar um banho rápido), quando toda a gente menos esperava (e já se falava em avançar para uma cesariana), decidiste nascer. A partir daí, foi tudo muito rápido e intenso. Um turbilhão de sentimentos apoderou-se de mim, tanto que não me consigo lembrar com clareza de tudo o que me passou pela cabeça naqueles instantes em que, juntos, te trazíamos ao Mundo. Em menos de uma hora estavas nos nossos braços.

Hoje, (quase) quatro meses depois, penso que não podia estar mais à altura do desafio bom que é ser (tua) mãe. Não existem respostas certas nem erradas. É uma aprendizagem gigante e constante, momento a momento. Tento fazer o melhor que sei com o melhor que tenho. Pois tu tens a capacidade de trazer ao de cima o melhor de mim.

Sorrio com orgulho de mim, de ti, de nós. De todas as pequenas vitórias que já conquistámos nestes quatro meses. E sorrio mais ainda quando recordo que precisámos de estar apenas os dois, sozinhos naquele quarto de hospital, para fazer isto acontecer. O teu nascimento foi, com tudo a que teve direito, a mais bonita história de amor. E ficará para sempre gravado no meu coração.

























Presentes de Natal de última hora







































As minhas sugestões | Natal saudável e ecológico

Pessoalmente, não cedo ao consumismo desenfreado que se respira nesta altura do ano. Dou poucos presentes de Natal, e aqueles que dou procuro que sejam úteis e eco friendly. 

Para vos dar um exemplo, a minha mãe é viciada no Mix de Amor da Iswari. Vou oferecer-lhe este snack com um ligeiro twist, personalizado por mim, num frasquinho de vidro todo bonito. Um presente com utilidade, ecológico, pouco dispendioso e, o mais importante de tudo, com significado para quem o recebe (a minha mãe não lê o blog, não fiquem a pensar que lhe estraguei a surpresa).

Para quem deixou para a última hora as compras de Natal, e se revê nesta minha filosofia, deixo aqui algumas ideias (em conta!) de presentes:


1. Voucher presente para um workshop da A Cozinha Verde

O voucher tem a validade de 6 meses e pode ser utilizado em qualquer workshop da A Cozinha VerdeÉ enviado em formato digital, sendo por isso um presente muito eco friendly (e delicioso, garanto-vos!) 

Se preferirem, podem oferecer também um voucher para um Vegan em casa by A Cozinha Verde (o preço varia de acordo com o número de pessoas).




























2. Chocolates de Alfarroba da Casa do Bosque

Veganos, crus, biológicos e artesanais. Disponíveis em 7 sabores diferentes (os meus preferidos são Avelã e Cânhamo e Limão). Cada chocolate vem com uma mensagem inspiradora no seu interior! Espreitem aqui os pontos de venda, ou encomendem online, através da página de Facebook.



























3. Zero desperdício na Maria Granel

Nesta mercearia en Alvalade, os produtos são todos biológicos e a granel. Um excelente exemplo de consumo sustentável, sem embalagens. Levem os frasquinhos de casa e encham com os produtos que quiserem, nas quantidades que desejarem. Ou aproveitem as embalagens e sacos ecológicos disponíveis na loja para compor um pequeno e delicioso cabaz de Natal.






























4. Superalimentos da Iswari

A Iswari já dispensa apresentações aqui no blog. Quem acompanha A Cozinha Verde sabe que utilizo imenso estes produtos, principalmente nos workshops de cozinha! 

Encomendem na loja online e usufruam de 10% de desconto em qualquer compra, com o código cverde. Sugestão: Amoras brancas (na foto principal) ou o Mix de Amor (em baixo).






























5. Just Granola Bars

Estas barrinhas energéticas, sem açúcar e crudívoras, já fizeram por diversas vezes as delícias dos participantes dos workshops da Cozinha Verde. Disponíveis em 4 sabores diferentes e com opção sem glúten. Encomendem na loja online ou espreitem aqui os pontos de venda.



























6. Granola da Trinca

A Trinca é uma marca de granolas portuguesa e homemade, com certificação biológica.
Se ainda não experimentaram o novo sabor - Maçã, Passas e Especiarias - não sabem o que estão a perder. É absolutamente viciante, parece que estamos a saborear um verdadeiro crumble de maçã! Estou rendida. :) Encomendem na loja online um miminho para vocês mesmos. Afinal, também merecemos! Em Lisboa, encontram a Trinca em diversas lojas de produtos biológicos.



7. Queijos veganos da Violife

Os melhores queijos veganos de sempre (testados e aprovados nos workshops da Cozinha Verde) chegaram finalmente a Portugal! Encomendem na loja online da mercearia vegana Green Beans, em Cascais.







































8. Garrafa EcoTupperware - Tupper Broccoli

Tenho duas, na cor verde. Uma de 0,5 lt, ideal para andar comigo de um lado para o outro dentro da mala, e outra de 1 lt, que fica geralmente na mesa de cabeceira do meu quarto, ou na sala, para me lembrar de ir bebendo água ao longo do dia. São práticas, leves, com um design super atraente e embora sejam de plástico, este não é nocivo. Mais, sabiam que a Tupperware tem uma campanha de recolha/reutilização dos seus produtos quando estes se estragam? 

Vejam esta e outras ideias na página da Tupper Broccoli. A Ivete é uma querida, enviem-lhe uma mensagem para fazerem diretamente a encomenda. Ela trata de tudo com muito carinho.







































9. Sabonetes mágicos da Dr. Bronners

Produtos cosméticos e de higiene corporal biológicos e de comércio justo. Sou fã. Uso o 18in1 - sabonete líquido com 18 utilizações diferentes - no banho do Lourenço (bastam umas gotinhas na água) e no meu banho e não quero outra coisa. Limpa, nutre e amacia a pele, sem ingredientes nocivos. Têm também loções corporais, sabonetes em barra, entre outros produtos. 

Encontram estes produtos em várias lojas. Lojas Terra Pura, em Lisboa e Sapato Verde, em Cascais (esta última tem loja online e vende exclusivamente produtos veganos e cruelty free. Recomendo.).


















Espero que este post vos seja útil e que ainda chegue a tempo de vos inspirar para as compras natalícias de última hora! 

Boas festas!


TAG - Conhecendo novos Blogs



A Joana, do Just Natural Please, desafiou-me a participar na TAG - Conhecendo novos Blogs, uma iniciativa que tem como objetivo conhecer um pouco melhor as caras por trás dos blogs portugueses, dando resposta às perguntas que se seguem. Obrigada pelo convite Joana!

1. O que te levou a começares este blog?
A Cozinha Verde surgiu em Maio de 2013, poucos meses depois de me ter tornado vegan. Na altura, ainda a trabalhar como auditora financeira numa multinacional, senti o desejo de partilhar o novo mundo que estava a descobrir (e que viria a mudar a minha vida por completo), e de fazer com que o veganismo chegasse a um número maior de pessoas. Desde o início que o meu objetivo com o blog é despertar consciências para uma vida mais ética, saudável e sustentável. Como costumo dizer, é a minha forma de ativismo.

2. Qual a origem do nome do teu blog?
Foi o primeiro nome que me veio à cabeça naquele momento. Foi espontâneo, nada pensado e estudado, até porque naquela altura estava muito longe de saber que A Cozinha Verde viria a ser muito mais do que um hobby para mim.

3. O que de melhor o blog tem trazido para a tua vida? Porquê?
São muitas as coisas boas que tenho atraído para a minha vida com A Cozinha Verde. Mas destaco uma. O preenchimento que sinto todos os dias, por contribuir de alguma forma, por mais pequena que seja, para inspirar outras pessoas a adotarem uma alimentação e estilo de vida mais compassivo e saudável.

4. Como concilias a tua vida pessoal e profissional com o Blog?
Não tenho nenhuma linha a separar a minha vida profissional e o blog. A partir do conceito do blog criei a marca A Cozinha Verde, que mais do que o meu projeto (não gosto muito de lhe chamar negócio ou empresa), é a minha vida (profissional e também pessoal). Encaro as redes sociais como uma parte muito importante do meu trabalho, porque é lá que promovo aquilo que faço (branding). A Cozinha Verde é um projeto muito pessoal e centrado em mim (trabalho e faço a gestão deste projeto praticamente sozinha), e por este motivo é também difícil separar a minha vida pessoal da profissional. Quando posso, tento guardar um dia da semana só para mim e para a minha vida pessoal. Longe das redes sociais e do e-mail. É quase impossível desligar-me completamente, mas é também por este motivo que sei que A Cozinha Verde, mais do que o meu projeto, é o meu propósito de vida. Não há para mim nada mais gratificante do que fazer aquilo que realmente gosto.

5. Onde encontras inspiração para os conteúdos do teu Blog?
Geralmente, vou buscar inspiração a livros, artigos, pessoas, momentos, lugares. Por vezes, a inspiração aparece nos lugares mais inesperados. Neste momento, as publicações que faço estão mais relacionadas com o trabalho que faço diariamente (catering, encomendas, workshops, eventos, parcerias). Não me sobra muito tempo para partilhar receitas ou artigos de opinião (algo que adoro fazer!), mas comecei agora uma série de receitas vegan no canal de youtube da A Cozinha Verde para colmatar esta falha na publicação de receitas, cujo primeiro episódio foi lançado na quinta-feira passada. (podem ver aqui.)

6. O que mais gostas de cozinhar?
Acho que para mim, a pergunta que melhor se adequa é "com que ingredientes gostas mais de cozinhar?" Adoro criar pratos (doces ou salgados) com frutos secos. É incrível como é possível fazer tudo e mais alguma coisa com caju! Adoro cozinhar com grão (e qualquer leguminosa no geral) e com abacate (mais um ingrediente super versátil para doces e salgados). Gosto de cozinhar com cereais integrais. Gosto de todo o processo de preparação dos ingredientes até chegar ao resultado final, no prato. Em suma, adoro a cozinha.

7. Como imaginas o teu blog daqui a 3 anos?
Como já referi atrás, quando comecei o blog, há quase 2 anos e meio atrás, estava muito longe de saber o que seria a minha vida hoje. A Cozinha Verde nasceu de forma espontânea e foi crescendo naturalmente, nos momentos certos. Não me faltam ideias e projetos que quero concretizar. Acredito que tudo chegará no momento certo.

8. Quais são os hábitos diários que não dispensas?
Não sou muito de hábitos (e rotinas), até porque é algo difícil de acontecer com o trabalho que desenvolvo com A Cozinha Verde,  mas não dispenso um bom pequeno almoço logo pela manhã quando tenho tempo. Passear/caminhar com a Khaleesi (a minha princesa de quatro patas), é também um momento do meu dia que não dispenso.


9. Quais os teus conselhos para uma vida saudável?
Nutram o vosso corpo e a vossa mente. Como?
* Alimentação rica em nutrientes e em alimentos verdadeiros (eliminem os ingredientes de origem animal e evitem tudo o que seja processado/embalado/refinado);
*Exercitem o vosso corpo (uma caminhada serve, quando temos menos tempo, o que importa é não ficar parado);
*Encham a vossa mente de pensamentos positivos e sejam gratos pelas pequenas coisas do vosso dia-a-dia.

10. Se pudesses mudar algo no mundo, o que seria?
Imagino um mundo sem crueldade, onde todos contribuíssemos para o bem estar de todos (pessoas e animais). Um mundo onde cuidássemos do nosso ecossistema como se da nossa casa se tratasse. Um mundo onde todos fossemos iguais.


O objetivo agora seria nomear pelo menos 3 pessoas/blogs para responder ao desafio. Contudo, apercebi-me que aquelas que queria nomear já participaram, e por esse motivo não irei nomear ninguém. Confesso que não sou muito dada a estas coisas de correntes. Mas não podia deixar de responder a este convite. :)

Parceria Celeiro | O fim de um ciclo


Faz agora 1 ano desde que entrei pela primeira vez na cozinha de workshops do Celeiro, na loja do Rossio. Este foi um projeto que abracei de corpo e alma, desde o primeiro momento. O meu objetivo era simples. Divulgar o veganismo da forma que melhor sei… pelo palato. Num espaço com imensa visibilidade como o Celeiro, não tive dúvidas de que era o sítio ideal para plantar a semente. Foi também ali que fiz o primeiro workshop d’A Cozinha Verde. O primeiro de muitos.

Foram muitas as pessoas que conheci naquela cozinha. Tantas histórias partilhadas, muitas relações criadas. Era isso que me preenchia verdadeiramente. Sentir, durante aquelas duas horas, que estava a fazer a diferença, por mais pequena que fosse, para um mundo melhor. Além disso, foi gratificante perceber que a maioria dos participantes não eram vegetarianos e pouco sabiam sobre a cozinha e estilo de vida vegan. Para mim, aquela era (e é) uma forma de activismo mais discreto, mas com resultados gratificantes.

E é por todos aqueles que participam nos meus workshops, por todos aqueles que me encomendam iguarias livres de crueldade, por todos aqueles que me procuram para que os inspire a mudar de vida, e por todos aqueles que acompanham o meu trabalho no geral, que escrevo hoje este post.
Neste momento a marca Celeiro já não se encontra alinhada com os meus ideais e valores.
A partir deste momento, não voltarei a fazer os workshops na loja do Rossio, como já era habitual, e não contarei com o apoio do Celeiro para os eventos d’A Cozinha Verde.

Podia ficar aqui horas a escrever sobre o motivo que levou ao fim desta parceria. Estou há um tempo a reflectir sobre tudo o que se passou, e principalmente a pensar na forma de abordar com vocês o fim desta relação. Cheguei à conclusão de que não faz sentido “lavar roupa suja em praça pública”, muito menos em meios de comunicação como estes.  Agir com compaixão é o meu lema. Revolta e rancor não fazem parte de mim.

Logicamente, há uma marca/nome a defender. A Cozinha Verde, para além do meu trabalho, é um projeto ao qual me dedico a 100% e com toda a minha energia. É a minha vida, e quem me conhece sabe bem o prazer que me dá fazer isto todos os dias. Porque são vocês que me movem e que me inspiram, decidi partilhar esta notícia, da melhor forma que consegui. Não pretendo com isto atingir o Celeiro, mas sim ser sincera e agir de acordo com os meus princípios. Não faria sentido de outra forma.
Para quem frequentava os meus workshops na loja Celeiro do Rossio, continuarei a fazer workshops noutros locais, como aliás já acontecia.

O fim desta parceria é apenas o fecho de um ciclo. E o início de um novo.


Wherever you go, go with all your heart. - Confucius

O Yoga e o Veganismo | Another Year, Lots of New Dreams ॐ


A poucos dias do final do ano, não faltam artigos, inspirational quotes e imagens a correr na Internet sobre as tão conhecidas (e previsíveis) "resoluções de ano novo". Para mim, não passam de frases feitas, na sua grande maioria. Não estou com isto a dizer que algumas delas não façam parte da minha "wish list". Mas será que precisamos de chegar ao último dia do ano para decidirmos que queremos ser felizes, saudáveis, perder peso, mudar de trabalho, ter filhos, ou o que quer que seja que faça sentido para nós?! 

Para mim, este é um processo diário e contínuo. Um caminho que podemos (e devemos) percorrer todos os dias. Se desejo mudar algo na minha vida hoje, não vou esperar que uma dúzia de passas de uva me tragam uma motivação maior para o fazer. 

O texto que se segue não fala por isso de resoluções de ano novo, mas tem como objetivo inspirar-vos a irem atrás dos vossos "sonhos", hoje. Não tendo sido escrito por mim, reflete aquilo em que acredito, sem mudar uma vírgula. A união da alimentação vegan (o meu mundo) com a prática de yoga (o mundo do Nuno) e com o veganismo (o mundo de ambos), que num futuro próximo irá resultar num projeto em conjunto que estamos HOJE a desenvolver. 

Podia apresentar-vos o Nuno Filipe como professor de yoga, mas isso seria restringir um ser humano a um título ou rótulo, algo que para mim não faz qualquer sentido. Prefiro assim que o conheçam da melhor maneira possível, com aquilo que ele escreve, que traduz verdadeiramente aquilo que ele é...



O Yoga e o Veganismo
by Nuno Filipe

Tentar contextualizar o vegetarianismo / veganismo com a prática de Yoga é tão complexo como a prática em si. Tentar fazê-lo de forma a que quem nunca tenha tido contacto com a filosofia e tradição do yoga consiga entender com clareza, é duplamente complexo.
Por isso quando “A Cozinha Verde” me pediu um pequeno texto sobre a ligação entre o yoga e alimentação que escolhemos para nós, a minha primeira pergunta foi “define pequeno?!”



































Tirando o elefante da sala logo de início, nem todos os praticantes de Yoga são vegetarianos. Acredito que todos devemos caminhar no caminho mais positivo da nossa prática de Yoga e na interpretação que fazemos dela, e perder tempo a encontrar falhas ou desacreditar outras pessoas e as interpretações delas é algo a que não nos podemos – nem devemos - dar o luxo.
Dito isto, acredito também que um praticante consciente adopta o vegetarianismo como consequência do processo de compreensão da realidade da vida e do papel que a sua presença exerce no mundo. Assim o praticante consciente, aprende que a realização espiritual e a verdadeira felicidade somente são possíveis se os nossos pensamentos, sentimentos e ações estiverem em harmonia.

As posturas e técnicas básicas de uma prática de Yoga não são fáceis de aprender. Do mesmo modo que repensar e reeducar a nossa alimentação também não o é. A partir do momento em que enveredamos por qualquer um dos caminhos – ou de ambos – rapidamente nos apercebemos que existe um rigor anexo a essa educação, e que não existe mesmo forma de contornar esse rigor. Teremos de nos sacrificar e arriscar ir além dos nossos limites pré-concebidos, e nisso existe sempre um elemento de incerteza e de perigo. “será que vou cair na postura?” ou “será que estou a consumir todos os nutrientes que preciso?”.  Numa época de pessoas privilegiadas e resultados rápidos isto não são boas notícias: não há um atalho ou uma estrada sem buracos. É preciso discernimento, disciplina, compreensão e compaixão.

Contextualizando:

Todos estamos familiarizados com a palavra “karma”.
A grande maioria de nós entende-a como as simples consequências das nossas ações. No entanto, simplesmente por existirmos neste mundo, também partilhamos karma com as nossas famílias, comunidades e com o nosso planeta e todos os seus habitantes.
Na filosofia do Yoga, o mundo em que existimos é um onde devemos pagar a nossa dívida kármica. Isto é visto como sofrimento. O verdadeiro significado do Yoga é muito mais que o comum estereótipo de “iluminação”; é o fim de todo o sofrimento e “ignorância” (Avidya, a ignorância sobre o conhecimento que leva ao sofrimento) e não apenas o nosso.
Pagar a nossa dívida Kármica seria bastante mais fácil se não estivéssemos continuamente a acumular karma. Tal como Krishna disse a Arjuna no Bhagavad Gita  “Aqueles cujo apego é o de recompensas pessoais, colhem as consequências das suas ações: algumas agradáveis, outras desagradáveis, algumas um pouco de ambos os sentimentos. Aqueles que renunciam ao desejo de recompensas pessoais, irão além do alcance do karma”.
Colocado de forma simples, fazemos o que temos de fazer porque tem de ser feito, e fazêmo-lo sem qualquer expectativa.

E do karma passamos ao dharma.
Dharma significa “aquilo que mantém unido”.
No plano humano, dharma pode ser considerado como “fazer a coisa certa”.
Esta compreensão sobre o karma e dharma é essencial para podermos integrar na nossa vida os Yamas e os Niyamas. E perguntam vocês o que são os Yamas e Niyamas? Ora, Yamas e Niyamas são como um código de conduta para o praticante de Yoga sobre como fazer melhores escolhas. Todos queremos fazer boas escolhas certo? Mas ao invés de ser um código assente na repressão e controle, estes aspectos da prática baseiam-se na coerência, motivação e coordenação dos nossos esforços para podermos fazer melhores escolhas a cada momento.


De entre os Yamas e Nyamas, encontramos Ahimsa. Mais conhecido como “não-violência”. Existem duas dimensões diferentes na prática da não-violência, que estão intrinsecamente ligadas: uma pessoal e uma social. A primeira tem a ver com a forma como nos relacionamos connosco e com a nossa prática pessoal de Yoga. A segunda tem a ver com a maneira em que vivemos a vida em sociedade, com nossa família, nossos amigos, vizinhos ou colegas de trabalho.

Geralmente, a questão da opressão animal é abordada apenas em termos de compaixão e preconceito: os animais são explorados e destruídos, simplesmente porque os vemos como sub humanos e estamos dispostos a abusar deles para satisfazer a nossa ganância e paladar. Mas talvez o problema vá um pouco mais fundo do que mera crueldade e avareza. No nosso contexto social atual, não são apenas os animais que são explorados - é tudo e são todos, de terras de cultivo a florestas, a agricultores e empregados de loja. A opressão dos animais é mais evidente pois envolve o assassinato de seres vivos, mas não são apenas eles os escravizados pela nossa sociedade, é tudo, nós mesmos incluídos. Sem uma compreensão de como e porquê o nosso sistema económico e social nos leva a constantemente dominar, explorar e oprimir tudo, não seremos capazes de acabar a violência contra os animais e ambiente, ou pelo menos de uma forma significante e a longo prazo. Diariamente, somos encorajados a questionar como podem os animais, as pessoas e o ambiente, ser usados como recurso na competição diária da nossa vida. Esta é uma das razões pela qual considero que Ahimsa para com os animais é indivisível da mesma não-violência que precisamos de praticar com nós mesmos.
Tudo vale no jogo da exploração, e se não exploramos algo com o intuito de ficar na mó de cima - de acordo com as exigências que nos são impostas sob o disfarce de livre arbítrio - alguém o irá fazer por nós, e muito provavelmente utilizá-lo para nos explorar de volta. Este é um pensamento tão cruel e violento que aqueles que se apercebem disto, não têm qualquer receio em maltratar humanos e animais, porque acreditam que a alternativa é serem eles mesmos alvo dessa violência.

O praticante de yoga que abraça ahimsa e adopta o vegetarianismo/veganismo reconhece o valor dos animais não humanos, um valor que não pode ser calculado por economistas, apenas medido pela compaixão humana. Apenas uma perspectiva e estilo de vida com base na verdadeira compaixão consegue destruir os arquétipos opressivos e violentos da nossa sociedade presente e auspiciar em desenvolver novas realidades, novos relacionamentos, com a forma como tratamos os animais que partilham o Mundo connosco. É surrealista pensar que uma sociedade que oprime animais não humanos seja alguma vez capaz de se tornar uma sociedade que não oprima humanos.

A libertação animal e o fim da violência para com todos os seres (isto inclui a violência que praticamos para com nós próprios) é uma colectânea de processos internos. Talvez possamos aprender acerca de nós mesmos na forma como tratamos os animais. Devemos começar por reavaliar como a vida deve ser para humanos e animais de igual modo, e de como tornar ambas as existências significantes e preenchidas.














O yogi vegan não é sinal de iluminação. Tal como não existe um teste que possa ser aplicado ao ser humano para determinar o seu grau de espiritualidade, tão pouco podemos considerar que a dieta signifique alguma coisa em termos de progresso pessoal e espiritual. Se trocarmos os nossos condicionamentos por outros, como a tendência de julgarmos os demais ou de nos considerarmos superiores, então poderemos não estar a praticar com a atitude correcta, de mente equânime e coração aberto. Quando caminhamos por um caminho de evolução pessoal e social, é importante que não nos deixemos cair na teia pegajosa da arrogância. Os resultados poderão não ser tão imediatos mas serão mais duradouros com toda a certeza.
Tirem-nos o Amor, e o nosso mundo é um túmulo.

LOKAH SAMASTAH SUKHINO BHAVANTHU

"Que todos os seres sejam felizes e que meus pensamentos, palavras e atos contribuam para a felicidade de todos os seres"


*Palavras como Yama, Nyama, Ahimsa, Bhagavad Gita, sofrimento e ignorância,  etc podem causar confusão a quem nunca as leu. Por favor sintam-se na liberdade de me escreverem para qualquer dúvida! 

O meu nome é Nuno, sou aluno, estudante e professor de Yoga.
Podem encontrar-me aqui www.facebook.com/sacredyogajourney e falar comigo por aqui: indefenseofreality@gmail.com