Hoje, dia 1 de Novembro, celebra-se o Dia Mundial do Veganismo (World Vegan Day). Não sou muito de assinalar datas mas não podia deixar passar esta, pela importância que tem para mim a nível pessoal.
Quem me conhece e/ou acompanha o trabalho que desenvolvo com A Cozinha Verde sabe que adoto uma alimentação e estilo de vida vegan (há quase 5 anos yeyyy). Quer isto dizer que excluo da minha alimentação e estilo de vida, na medida do
possível, tudo o que tenha origem animal, que tenha sido testado em animais ou
que contribua de alguma forma para a exploração animal.
Em termos alimentares, faço uma alimentação 100%
vegetariana, sem carne, peixe, ovos, leite, derivados e mel. Contudo, este estilo
de vida não se fica somente pelas minhas escolhas alimentares. Por exemplo: não compro roupas ou calçado de pele, lã ou seda. Opto por produtos de cosmética
e de limpeza sem ingredientes de origem animal e que não tenham sido testados
em animais. Não frequento eventos/espetáculos que promovam a crueldade
animal, como circos com animais e touradas.
Resumidamente, procuro que as minhas escolhas e decisões diárias reflitam aquilo em que
acredito: que não existe necessidade de utilizar os animais para nosso
proveito.
3 motivos para adotar uma alimentação vegan
Existem três motivações principais para adotar
uma alimentação exclusivamente à base de plantas. Embora estejam todas interligadas,
acabam por funcionar como três portas de acesso diferentes. São elas a saúde, a ética e o ambiente.
O respeito pela liberdade e
bem-estar animal foi a minha porta de acesso para uma alimentação e estilo de
vida vegan. No entanto, depressa percebi os benefícios desta mudança na minha
saúde, no meio-ambiente e na vida de outros seres humanos. (podem ler mais sobre a minha história aqui)
Resumidamente, são estes os três grandes motivos:
Saúde
São inegáveis os benefícios de uma alimentação vegan
equilibrada e bem planeada na nossa saúde. São inúmeras as patologias que advém
de maus hábitos alimentares, predominantes (mas não exclusivos) numa
alimentação omnívora, como o consumo excessivo de proteína e gordura animal,
produtos de carne processados, lacticínios, excesso de sal e de açúcar. Uma
alimentação vegan que tenha como base os alimentos de origem vegetal no seu
estado natural – como as frutas, os legumes, os cereais, os frutos secos, as algas,
as sementes e as leguminosas – tem como resultado uma menor prevalência de
doenças, nomeadamente oncológicas e cardiovasculares, e um aumento considerável
na nossa qualidade e esperança de vida. É por isso natural que muitos
entusiastas deste estilo alimentar comecem com esta motivação inicial. A
procura por uma alimentação e estilo de vida saudável leva cada vez mais
portugueses a deixarem os animais de fora do prato.
Ética
É fácil entender que o facto de
comer animais não lhes traz nenhuma vantagem. Para além de o ser humano se
achar no direito de tirar a vida de outro ser vivo para seu proveito, a grande
maioria dos animais da indústria pecuária vive vidas miseráveis (e muito curtas
quando comparadas com a sua esperança média de vida), em condições desumanas e
em sofrimento constante. Não sendo
o consumo de animais imprescindível para a sobrevivência da espécie humana, não
existe motivo válido para perpetuarmos o abatimento em massa de biliões
de animais por ano para consumo humano. Para além disto, existe a questão
cultural. Do meu ponto de vista, é tão errado matar uma vaca ou um porco como
um cão ou um gato. Todas as espécies referidas são sencientes, ou seja, têm a
capacidade de sentir sensações e sentimentos de forma consciente. Consoante o
país e cultura onde nos inserimos, é facilmente observável que este duo –
animais para consumo e animais de companhia – é variável. Se a nós, portugueses,
nos faz sentido que a vaca e o porco entrem no nosso prato, mas não colocamos
como hipótese comer os nossos amigos patudos, não será esta uma ideia que por
ter sido incutida e perpetuada durante tanto tempo nas nossas mentes, nos levou
a considerá-la como uma norma? Sucintamente, é este o conceito de tradição. Um
hábito/ideia que foi mantido durante muito tempo, passado de geração em
geração, até ser normalizado pela sociedade em que nos inserimos. Falamos do
consumo de animais, mas também da escravatura ou da ditadura por exemplo. Quero
com isto dizer que pelo facto de uma acção ser aceite pela maioria não
significa que seja correta e moral. Com a evolução da nossa espécie, foram
quebradas várias tradições e normas que até então se julgavam “normais”. A utilização dos animais para nosso
proveito, seja através da alimentação, do entretenimento, da moda ou da
cosmética não é ética e deve ser repensada, à semelhança de outras tradições
cruéis que a espécie humana já vivenciou.
Mas não são apenas os
animais que sofrem com os hábitos e tradições humanas. Também a nossa
espécie teria a beneficiar com a diminuição do consumo de animais a nível
mundial. Sendo a agricultura mais sustentável e com menos gasto de recursos (ler próximo ponto), essa
mudança poderia servir para acabar com grande parte da fome e sede mundial. Se
os terrenos atualmente utilizados para a criação de gado fossem utilizados para
a produção de vegetais, frutas e cereais, seria possível alimentar um número
bastante superior de seres humanos que estão hoje condenados à morte por
escassez de alimentos.
Ambiente
As nossas escolhas diárias no que diz respeito à alimentação
não têm só um impacto direto na nossa saúde e no bem-estar animal. O
ecossistema é também extremamente afetado com a indústria alimentar. Segundo um
relatório recente da FAO (Agência para a Alimentação e Agricultura das Nações
Unidas), a indústria pecuária é
responsável por 18% das emissões dos gases causadores de efeito de estufa,
percentagem esta superior a todo o sector dos transportes. A alimentação
vegetariana gasta muito menos recursos naturais comparativamente com uma
alimentação à base de produtos de origem animal. Grande parte da produção
intensiva de cereais existe para alimentar o gado da indústria pecuária. Por este e outros
motivos, o custo de produção de um kg de carne ou de 1 litro de leite de vaca é
muito superior quando comparado com a indústria agrícola. A pesca excessiva está também a levar à
extinção de várias espécies marinhas, e prevê-se que, a continuar ao ritmo dos
últimos anos, levará à extinção em massa de todas as espécies mais comerciais
em 2050. Posto isto, uma alimentação
local, sazonal e à base de vegetais é muito menos poluidora, para além de consumir menos recursos, sendo
por isso uma opção mais sustentável e ecológica para todos nós.
Espero que tenham gostado deste post! Partilhem comigo as vossas experiências e motivações! Vou adorar ler os vossos comentários! :)